domingo, 24 de janeiro de 2010

As primeiras praças de touros no Porto (I)

Em 1870 encontravam-se em construção as duas primeiras praças de touros permanentes da cidade do Porto: uma na Boavista e a outra no Largo da Aguardente (actual Praça Marquês de Pombal).
As notícias que se seguem são retiradas, como vem já sendo recorrente, d' O Comércio do Porto, neste caso do primeiro semestre de 1870.
Abaixo vem a descrição da praça de touros da Aguardente publicada a 31 de Março, aquando da ultimação dos trabalhos de construção:

"O espaço reservado às corridas mede 36m de largura; a distância da primeira à segunda trincheira é de 1,2m e o espaço desta ao tapamento; isto é, à largura das galerias é de 7,5m.
Além de uma ordem de 52 camarotes, tem no correr destes uma galeria superior. Em frente da porta do cavaleiro fica o camarote da autoridade.
Por baixo desta ficam a enfermaria, o escritório e outros compartimentos. O camarote real fica superior ao da autoridade.
Por cima da porta do cavaleiro fica o camarote da empreza (sic) e por cima deste o coreto de música.
Nos corredores, por baixo das galerias ficam as cavalariças e quartos para os moços e homens de forcado.
A praça é toda construída de madeira de forma quase idêntica à da Boavista e tem lugar para 8.000 pessoas."

Na altura em que esta notícia era publicada já a praça da Boavista tinha sido inaugurada. Tendo sido portanto essa e não esta a primeira, pela diferença de uns dias.

Não conheço qualquer iconografia destas praças. Das praças de madeira apenas me recordo de ver da praça da Rua da Alegria que precede estas em décadas.
Apelo a quem tiver alguma fotografias destas praças mais primitivas de madeira para, por exemplo postar no seu blog, ou enviarem para o e-mail da Porta Nobre para que as possa colocar aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Uma inovação da era pré-SMAS

"Acham-se terminadas as obras de melhoramentos na fonte do largo de S. Domingos mandadas fazer pela exma. camara.
Estas obras consistiram em adaptar aquela fonte a um novo sistema, em virtude do qual a água, em vez de correr permamentemente, como até agora, está represada, fazendo-se a extracção dela, quando é precisa, por meio de umas válvulas que se abrem puxando uns botões de metal amarelo, colocados um pouco abaixo das bicas e fora dos tanques.
Para este fim foi substituído o antigo tanque, que tomava toda a largura da fonte, isto é, as duas bicas, por dous pequenos, em arco de circulo, aos cantos, por baixo de cada uma das bicas.
Estas não estão completamente estanques, deitam, porém, apenas a porção de água necessária para encher os pequenos tanques, a fim de servir quando seja necessária para os incêndios ou outro qualquer uso não proibido pelas respectivas posturas.
É a primeira fonte deste género no Porto e constitui de certo um melhoramento de grande vantagem para o abastecimento regular de um dos elementos mais indispensáveis à vida.
A transformação das fontes da cidade segundo o novo sistema parece ser o que asseguraria uma regularidade a todos os habitantes.
Com efeito é como tentativa para esse fim, segundo nos informam, que a exma. camara mandou proceder à inovação que noticiamos.
Oxalá que esta produza os resultados que se tiveram em vista, e os quais se tornem a mais persuasiva prova da vantagem de a adaptar geralmente.
Como tudo que tem o sabor da novidade atrai os curiosos, a fonte de que nos ocupamos, com as alterações que se fizeram, tem sido o ponto de reunião de um não pequeno número deles, a verem como funciona o novo sistema.
Os aguadeiros é que, totalmente alheios à combinação dele, dão ao démo a engenhoca, atribuindo aos defeitos do sistema o que apenas é efeito do desajeitado modo de se servirem dele.
O Commércio do Porto, 10 de Abril de 1870

Esta fonte estava embutida no prédio hoje ocupado pela Papelaria Araújo e Sobrinho, na montra quem tem o trabalho de cantaria, adorno da própria fonte. Desta apenas resta o brasão da cidade, colocado à entrada do jardim do Edifício do SMAS.

Era nos baixos do actual Palácio das Artes que se encontrava, à época, uma autobomba dos bombeiros nesta era pré-automóvel; pelo que, provavelmente terá sido essa proximidade a razão da escolha da fonte de S. Domingos para teste desta inovação...?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Alameda de Massarelos


Nos finais do século XX



E no início do mesmo século.