domingo, 30 de maio de 2010

As primeiras praças de touros no Porto (III)

Embora colocada aqui com o nº III, pois é o terceiro post referente a este assunto, a notícia abaixo descreve um pouco do que foi a inauguração da primeira praça de touros (de madeira) permanente na cidade do Porto. Foi levantada na "rua da Boavista", num local que era, à data, longe do centro da cidade.
Para quem tiver paciência de a ler, vale a pena, pelo pitoresco do que descreve, ao qual ajuda também o tipo de escrita.

27 de Março de 1871
"Inaugurou-se na 6ª feira, com a primeira corrida, como estava anunciado, a praça de touros que se acaba de construir na rua da Boavista.
O gado, segundo requerem as exigências tauromáticas, em geral foi mau, o que tornou a corrida destituída de interesse para os amadores. Apenas dous ou três dos touros foram sofríveis, havendo principalmente um, que era destemido e fino, dando que fazer aos capinhas.
Pontes e Calabaça meteram bem alguns ferros, fazendo o segundo, além disso, alguns saltos à vara curta.
Ambos foram muito aplaudidos, especialmente o último.
O cavaleiro Batalha fez bem as cortesias e meteu alguns ferros curtos com muita destreza. Foi por isso muito vitoriado, recebendo um bouquet.
Os outros capinhas pouco se distinguiram, porque o gado não se prestava a isso.
Os homens do forcado portaram-se bem, e fizeram algumas boas pegas de cara e uma de cernelha.
Os touros que se não prestaram ás sortes foram recebidos com apupos e assobios.
Tocaram duas bandas, sendo uma a de caçadores 9 e outra particular.

A praça achava-se inteiramente adornada de bandeiras e festões de flores, e exteriormente de grande número de mastros com bandeiras. Estas estendiam-se igualmente pela rua da Boavista até ao Campo de Sto Ovídio [hoje Praça da República] e até parte da rua de Cedofeita.
Em volta havia um perfeito arraial: barracas de comida, pipas de vinho, etc, Custava a transitar com a grande multidão que ali afluía, apesar do vento que fazia.

A praça é vasta. Além de quarenta e tantos camarotes, tem uma galeria no sol, ao correr destes, e outros à sombra e ao sol por baixo dos camarotes e daquela outra galeria.
Por cima da pare reservada ao cavaleiro acha-se o coreto para a música e defronte dele o camarote da autoridade, tendo pintadas por baixo as armas da cidade.
Defronte do touril fica o camarote destinado aos Srs. Governador Civil e geral da Divisão, e por baixo os lugares reservados para a imprensa.
Há também um camarote real, onde na 6ª feira, apareceu o retrato do Sr. D. Luiz, depois de se tocar o hino de S. M.
Ao lado do touril, que tem vários compartimentos para o gado, acha-se uma enfermaria com os medicamentos necessários para quando suceda algum desastre, e os outros compartimentos destinados a diversos usos.
Além disto há botequins ou restaurantes nos corredores que ficam por baixo das galerias do sol e da sombra.
Em diversos pontos vêem-se dísticos com a data da fundação e inauguração da praça, e o nome do fundador, que o foi também da da Foz, o Sr. Augusto César Calhamar."

Como curiosidade, e para encerra o post, refira-se que surgiu, no jornal de Sábado logo a seguir à corrida, uma notícia de um rapaz que tinha sido atropelado por um qualquer trem que passava naquela zona. Pelos vistos, no meio da confusão de pessoas e trens a passar de um lado para o outro, no meio do reboliço; a pessoa fugiu! Um "atropelamento e fuga" portanto, já naquele relativamente longínquo tempo de década de 70 do século XIX!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Praça de Guilherme Gomes Fernandes



Praça de Guilherme Gomes Fernandes, onde se realizava a Feira do Pão, no início do século passado.
As casas ao fundo ainda existem! Escondido pelo arvoredo está o palacete onde Garret passou bons momentos de convívio ao serão. Hoje essa mesma área é povoada por um inestético edifício de apartamentos digno de cidade-satélite ou de uma qualquer freguesia mais exterior do próprio Porto, mas não daquela zona e não àquele custo...
Não desfazendo, é claro, a qualidade da Livraria do Estado, que povoa o seu rés-do-chão e primeiro andar!

sábado, 15 de maio de 2010

A Rua de Cedofeita


Rua de Cedofeita com a Torre dos Clérigos em segundo plano.
Capa de O Tripeiro, 1952.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Missa campal



Missa campal no Campo da Regeneração, actual Praça da República.