sábado, 19 de junho de 2010

O Beco do Cadavai

"Beco do Cadaval ou Cadavais

Era uma viela estreita e imunda que começava nas imediações dos aloques, ou anoques da Biquinha, e terminava na rua do Souto, na parte que fica entre a rua do Mouzinho da Silveira e rua das Flores.

A viela foi quase toda demolida para abertura da rua do Mouzinho, e a parte que não foi demolida na rua do Souto está fechada com uma porta de arco abatido que tem o nº 103."

T. de M., 16-04-909, publicado na Correspondência entre leitores da revista O Tripeiro, 1º ano, 2º semestre, página 207.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O eléctrico e o Passeio Alegre

Este blog não é um instrumento de contestação mas sim um espaço para ir "falando" da história da cidade do Porto. Dessa forma o post de hoje foge completamente à regra. Ou talvez não completamente pois os eléctricos são por si peças históricas.

A Câmara decidiu - e muito bem - efectuar obras de repavimentação na zona do Passeio Alegre. Para isso e como as condutas de água precisavam de ser renovadas; em sinergia com as Aguas do Porto optou pelo 2 em 1 esventrando os arruamentos apenas uma vez - e mais uma vez, a meu ver, muito bem.

Mas não é que se esqueceram dos eléctricos?! Então não era de aproveitar a sinergia com a STCP e prolongar a linha os três(?) centos de metros que falta para a levar ao Castelo da Foz? A maior parte do carril já lá estava, a maior obra seria na colocação da catenária. Mas para um espaço tão curto com certeza não seria empreitada demorada nem muito dispendiosa...

Assim o eléctrico continua a ir apenas até á "boca" do Passeio Alegre. Isto é, não lhe "penetra nas entranhas". Fica ali como quem foi só ao virar da esquina espreitar, dizendo aos seus passageiros "Agora faz o resto a pé!".

A ciclovia que vão instalar não ficava bem melhor acompanhada ao lado do eléctrico a circular em leito próprio do que ao lado dos omnipresentes e poluidores veiculos movidos a motores de explosão?

Seria uma mais valia, do ponto de vista turístico, aproveitar "o lanço" e colocar o eléctrico a dar novamente a volta à raquete do Passeio Alegre e colocar o términus da linha ao lado do chalet. A cidade ficava a ganhar e fazia justiça a este meio de transporte ao qual deve em grande parte o seu desenvolvimento e expansão.

Como está actualmente a chapa PASSEIO ALEGRE usada pela linha 1 fazia mais sentido ser substituida por CANTAREIRA...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um antes e depois da Boavista

Entroncamento da Av. da Boavista com a Rotunda do mesmo nome, no início do século XX:


O mesmo local na penúltima década do século XX:

domingo, 6 de junho de 2010

Uma notícia curiosa.

Pelo menos para mim, que nunca foi assistir a uma corrida de touros nem tenciono; não que seja fundamentalista do que quer que seja, simplesmente não acho piada à coisa.

De volta ao assunto, não tenho ideia se nas corridas de touros actuais o que se relata abaixo se passa ou não, nem se seria uma particularidade das corridas deste cadinho de terra à beira mar plantado. Contudo aconteceu (e acontecia regularmente pela maneira como está referenciado, numa das corridas de touros inaugurais da Praça de Touros da Boavista (mencionada num dos posts anteriores) e que reza assim:

"Na corrida de 3 de Abril houve um número cómico. O quinto touro foi destinado para o intervalo cómico. Foi protagonista desta diversão cómica, que entreteve alegremente os espectadores, o França, criatura de uma elasticidade admirável, que, vestido borlescamente, umas vezes espera o touro, e quando este insiste, vira-lhe as costas, deita-se-lhe entre as armas e deixa-se bolear por ele, outras farpea-o, mas em vez de lhe fugir, deita-se no chão e o touro passa-lhe por cima.
O vestuário e as cabriolas deste cómico personagem provocaram a hilaridade do público, que o recompensou do tempo de desenfado que lhe fizera passar, não só aplaudindo-o, mas lançando-lhe dinheiro em abundância.
O último touro reservado aos curiosos foi o remate verdadeiramente cómico da corrida.
Ao princípio nenhum curioso se animou a saltar à praça, porem depois em vez de um apareceram uns poucos. Foram numerosos os trambolhões e boleus e à força de insistir alguns ferros recebeu o touro. A maior parte deles foram-lhe metidos por um curioso, que entre outros se destingiu notavelmente, sendo vivamente aplaudido. Um acrescido número de espectadores entusiasmados saudaram-no agitando os lenços e os aplausos não tinham termo.
A concorrência foi numerosíssima. A praça tem sido melhorada, tendo-se aberto mais entradas, para galerias e colocado portas em alguns camarotes, trabalhos que ainda continuam."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Antiga entrada da Rua do Bonjardim



Na fotografia acima vemos a desaparecida secção inicial da Rua do Bonjardim. Esta área é hoje em dia ocupada pelo início da Rua de Sá da Bandeira; que faz também ela cotovelo tal como a anterior, se bem que um pouco deslocada da área daquela a que sucedeu constituindo por isso uma remodelação total do lugar a todos os níveis: edificado e rua.

A propósito desta rua, foram na revista O Tripeiro de Abril de 1948 e na secção Comunicação dos Leitores, dados a conhecer pelos anciãos à época, do que estava por detrás da imagem que esse velho negativo em vidro fossilizou, ai pelos inícios do século XX.
Vejamos pois o que havia por detrás daquelas portas e janelas nesses tempos tão recuados:

1)
(...) Foi um dos pontos frequentados pela boémia de há trinta anos. Olhando para a fotografia, do lado esquerdo, vê-se o Café Madrid, a seguir o Restaurante Monteiro, depois a Relojoaria, o célebre Restaurante Adriano, com esplêndidos almoços a quatro ou cinco tostões, o lindo Café Lisbonense, com um esplêndido terceto, com concertos ao domingo, à uma hora da tarde, restaurante no primeiro andar, com entrada por um largo portão à direita do Café e ainda pela Rua de Santo António [hoje 31 de Janeiro). A seguir, havia ainda a Sapataria Mota, Barbearia Barradas, salvo erro, Ourivesaria Boneville, Quiosque Espírito Santo, etc. Olhando ainda a fotografia, há direita, havia o Café Portuense, o Café Liberal, o Restaurante Mesquita, Mercearia Maia, Farmácia, Barbearia Tinoco, uma Confeitaria, o velho Café Moreira e, na casa grande, que se vê ao fundo, havia umas alfaiatarias de fato feito, onde hoje [1948] está uma barbearia e um estabelecimento de óptica [isto é que não pode ser verdade porque o prédio já não existe!?]. Fazia esta rua, do lado de Santo António, um cotovelo que não deixava ver dali a Rua de Sá de Bandeira.
Comunicação de: Tripeiro Luis - Porto

2)
"(...)Os prédios que faziam parte da referida rua eram, na sua maioria ocupados por cafés, restaurantes e hotéis. Do lado direito haviam os cafés Portuense, Braga e Moreira, o Novo Hotel Portuense e o Hotel Real. Este era no local onde hoje [1948] está instalado o Peninsular Hotel.
Em tempos idos, já bastante recuados, à porta do Hotel Real faziam estação os almocreves, diligências e estafetas. As estafetas, nome porque eram conhecidos uns pesados e avantajados carroções cobertos de lona (...), faziam recovagem entre vários pontos da província e, de quando em vez, transportavam um ou outro passageiro que tivesse coragem e resistência para suportar tais jornadas. Estes carroções eram puxados por cavalos e traziam sempre, durante a viagem, atrelado na traseira do carro um cão de guarda com coleira de picos compridos e acerados, isto, já se vê, para o que desse e viesse...É que os tempos eram outros...
Do lado esquerdo, existiam os Restaurantes Monteiro e o Adriano, que teve a sua fama, e os Cafés Madrid e Lisbonense. Este Café foi um dos mais frequentados da época, não porque fosse luxuoso, como actualmente os há, mas por nele se realizarem, principalmente no inverno, excelentes e apreciadíssimos concertos de boa música, executados por artistas de real merecimento. (...)
A rua em referência, depois das modificações a que foi sujeita [na realidade foi construído um arruamento novo], foi integrada na Rua de Sá da Bandeira, e à parte da citada rua, entre as Ruas do Bonjardim e de D. Pedro [que já não existe nem existia à escrita destas linhas], foi dado o nome de Sampaio Bruno (...)
Existiu, no ângulo direito das ruas do Bonjardim e Sá da Bandeira uma fonte, que foi demolida, tendo-se construído no local uma marquise envidraçada, que ainda lá está.
E fico por aqui.
Comunicação de: Velho tripeiro - F.M.N.J. - Porto