terça-feira, 16 de agosto de 2011

O elevador dos Guindais

Em baixo reproduzo duas respostas á mesma pergunta, publicadas n' Tripeiro de Maio de 1952, que em minha opinião, sendo descrições simplistas feitas por leigos (como eu), valem "mais" precisamente por esse colorido que só a imparcialidade de linguagem técnica nos pode transmitir.

Primeiro
Este elevador, ou ascensor, saia da desembocadura da ponte, no tabuleiro de baixo, a subir por uma rampa aberta na escarpa, presentemente [1952...] coberta de pequenas casas, como se vê do tabuleiro superior da ponte, e ia, ladeando o convento de Santa Clara, até à rua chamada antes da Batalha e hoje de Augusto Rosa.
Era um engenho bastante audacioso e de funcionamento bastante complicado. O veículo formava-se de três caixas transversais, independentes entre si, fixadas no quadro de rodagem por eixos, sobre os quais se moviam, por manobra do condutor, a tomar posição, quanto possível vertical, nas variadas inclinações do terreno. Vou tentar dar ideia de como subia e descia a engenhosa carripana, aliás duvidoso de me fazer entender.
Tirava-a um cabo subterrâneo em giro circulatório, por meio de maquinismo, contrabalançando o peso, na parte mais íngreme, um carro a descer desde o ponto culminante, com lastro segundo as pessoas a elevar, anunciadas pelo condutor com toque de campainha.
Na parte mais suave o contrabalanço fazia-se com o carro que vinha da Batalha em serviço de passageiros, o qual, em chegando ao maior declive, arrastava para cima o que havia contrabalançando o outro, na subida. Isto com um sistema de engates e desengates em marcha, audaciosíssimos.
Foi numa dessas mudanças de engate que se deu o desastre com que acabou aquele processo de levar gente da cidade baixa para a alta e vice-versa.
Eu utilizei-o muitas vezes. Não tinha concorrência muito forte, talvez por incutir medo, mas, nas quadras e horas de tomar banhos do rio e ás noites, para os teatros e cafés, as caixas oscilatórias andavam cheias de passageiros. Fez alguma falta.



Segundo
Este elevador foi inaugurado a 3 de junho de 1891.
Funcionava nos Guindais, quase em frente ao tabuleiro inferior da ponte de D. Luis I, e vinha até defronte do Quartel General.
Era do tipo do do bom Jesus de Braga, tendo a casa das máquinas no cima das Escadas dos Guindais.
Um dia, partiu-se o cabo de tração, indo o elevador parar (e graças á cremalheira) quase à beira do rio.
Não causou o acidente, porém, desastres pessoais. Mas o alarme foi de tal ordem que nunca mais funcionou...
E assim terminou o primeiro - e último - elevador que existiu nesta cidade.


NOTA: esta segunda resposta era originalmente d' O Tripeiro de Fevereiro de 1934.

domingo, 14 de agosto de 2011

Recolhimento do Anjo


O Recolhimento do Anjo situava-se no local do extinto e não saudoso Clérigos Shopping.
Foi demolido em 1837, para dar lugar a um mercado, o Mercado do Anjo, que ali se aguentou por mais bem mais de um século e do qual, muito portuense terá ainda viva memória da sua fase final (já decadente?).
A imagem é um pormenor da gravura conhecida do Barão de Forrester, onde o mesmo pretendeu dar uma imagem da feira que então se fazia na Cordoaria; que penso, nada tinha que ver com os motivos que levaram à abertura do já citado mercado, bem perto daquele local.
Para saber mais sobre como funcionava esta instituição, poderam consultar este estudo, uma dissertação de mestrado, onde este nos é apresentado de forma minuciosa, do ponto de vista do seu funcionamento. (Dissertação de Mestrado)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Uma foto que mostra mais do que parece



Fotografia tirada eventualmente nos primeiros anos da década de 60 do século XIX, onde se vê, em primeiro plano, a casa do Infante (na altura ainda alfândega) em plena remodelação. Foi para esta empreitada que foi demolida a casa que fazia esquina com a rua da Reboleira onde existia uma bonita janela manuelina. (Onde está essa janela?).

Mas a foto também mostra, a um olhar um pouco mais atento, algumas vislumbres do passado edificado que já não volta... Ao cimo da rua do Infante, se a foto fosse tirada na atualidade veríamos, imponente, a estátua do Infante D. Henrique, e por trás dela o Mercado Ferreira Borges... mas nesta foto que vemos? Vemos a fachada de um edifício! Na realidade, nesta época ainda existiam edifícios desde a esquina da Rua Ferreira Borges (onde agora está a entrada do parque de estacionamento) até às Congostas (sensivelmente onde começa agora a Rua Mouzinho da Silveira); e é a fachada de uma dessas casas que vemos.

Por trás dela o que existia era um monte semi-abandonado (a atual Praça do Infante D. Henrique) que fora horta dos Mosteiros de S. Domingos e S. Francisco.

Ainda mais lá atrás, e já um pouco esbatido vemos o topo da parede sul do dormitório abandonado e calcinado do antigo mosteiro de S.Domingos, que ali esteve em pardieiro mais de 30 anos como relíquia de uma passado fradesco que já não volta mais!