quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reliquias do Convento de S.Bento de Ave-Maria

Na igreja de Cedofeita - a nova - mesmo à entrada, encontram-se duas relíquias que para ali foram levadas no final do século passado para serem incluidas na construção da nova igreja de Cedofeita. Isso nunca chegou a acontecer, e dentro das instalações da Igreja encontram-se dispersas algumas das pedras desse malfadado convento, destruido para dar lugar à estação de S. Bento.
Este remate não consegui ainda identificar de que parte do convento veio.
Este fogareu encontrava-se a rematar a entrada principal do convento, virada para a Rua do Loureiro. Há lá mais, e algumas dessas pedras estarão porventura "escondidas" das vistas. Para ver algumas imagens deste Convento e admirar a sua lindíssima fachada barroca virada para a rua do Loureiro clique aqui


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Palavras para quê...

Retirado de um O Jornal do Porto de Agosto de 1871.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Igreja Gótica de S. Domingos do Porto (2)

Segue-se a planta do corpo da igreja (ver abaixo), onde apenas se vê esta indicação lançada ao lado da escala: Petipé do Corpo da Igreja.

Mostra-nos os pilares divisórios das naves, de secção quadrada, com chanfros e colunas embebidas, em número de oito, formando quatro tramos por banda. O traçado indica-nos as sepulturas e o lageado do pavimento..

Registarei as indicações do Sr. Dr.Cunha e Freitas: "A igreja era de três naves que formam 4 arcos de cada parte de volta de ponto agudo sobre 4 pilares distante cada um do outro 26 palmos, sem base, lisos até aos capitéis, e media, fora o cruzeiro, 124 palmos de comprimento por 75 de largura". Estas medidas conferem com as que nos dão a planta, com pequena diferença quanto à largura, no desenho apresentada para menos.

"O pavimento, estava outrora coberto de sepulturas, quase todas com seus letreiros, e algumas com seus escudos de armas entre os quais haviam algumas de mármores finos, dispostas sem ordem alguma. Depois de 1734, ficaram só 116 - 66 na nave central e 50 em cada uma das laterais." A planta de Fr. Pedro indica fiadas de sepulturas, dispostas com regularidade geométrica, que cobrem inteiramente as naves, acusando número diferente.

Outro desenho, apresenta-nos o segmento inferior de um pilar da igreja. Viu-se anteriormente que, consoante a descrição do Sr. Dr. Cunha e Freitas, os pilares eram "sem base, lisos até aos capitéis". A forma condiz com a secção deles que no dá a planta do corpo da igreja, quadrados, com chanfros, e meia coluna em cada face; as medidas deles nos dois desenhos (planta e alçado) são concordes: 6 palmos de lado. Na reforma radical de 1734 houve desejo de os modificar nas bases, ao jeito clássico; para isso, o carmelita arquitecto delineou três projectos diferentes, um deles com sacrifício parcial de colunelos para lançamento de uma escada de púlpito; sob o projecto apresentado em primeiro lugar - o mais simples deles - anotou o arquitecto este he o melhor, e de menor preço. É de crer que tivesse sido o escolhido.

Dois dos desenhos do grupo representam alçados: um deles é o corte e parede fundeira da capela-mor, coberta de abóboda de berço, de tijolo, com 64 palmos de alto,sobre espessos muros onde se abrem duas tribunas iluminadas pelo exterior,rematando a empena por uma cruz, com pirâmides muito ornadas nos extremos, de concepção barroca; o outro mostra uma capela com o seu arco de meio ponto, elevando a 49 palmos, o entablamento flanqueado de pirâmides singelas terminadas por bolas tendo superiormente uma janelam ladeada de ornatos barrôcos em S; esta capela, pelo aspecto geral e dimensões, devia, possivelmente, pertencer ao cruzeiro.
Os restantes três desenhos são de menor interesse; um, em planta, com aguadas,diz respeito a um altar e respectiva tribuna, os outros, em alçado, ao côro e presbitérios.
Pena é não se encontrar neste grupo de desenhos a frontaria do templo, que na reforma de 1734 sofreu grande transformação.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Cancela Velha

Esta foto de 1962 publicada n' O TRIPEIRO mostra o local onde actualmente está o grande edifício dos correios. Para dar lugar ao mesmo, foi demolido, entre outros, o edifício que pertenceu ao Ferreirinha, que ocupava grande parte do terreno que vemos nesta foto ainda desocupado.
À esquerda conseguimos ver uma parte do cruzeiro da Igreja da Trindade bem como, mesmo no canto esquerdo, uma nesga do edifício dos Paços do Concelho. Abaixo coloco a legenda da mesma foto, tal como publicada à época.

Recanto da actual Praça do Município, e entrada da Rua António Sardinha, onde, à direita, se localiza a antiga Cancela Velha, por trás do tapamento que encobre o futuro Palácio dos Correios.

domingo, 5 de agosto de 2012

Igreja gótica de S. Domingos do Porto (1)

A mais que esquecida igreja de S. Domingos, demolida sem glória no já longínquo ano de 1865 (depois de 30 anos em pardieiro), não tem quase qualquer iconografia "de verdade". Apenas as imagens de Villa Nova (e a Igreja que lá se vê era originalmente a dos terceiros dominicanos) e duas ou três fotografias mais antigas de panorâmicas do Porto onde só olhando com olhos de ver se descobre que, onde deveria estar o Mercado Ferreira Borges, se encontra as paredes nuas de um casarão em ruína pertencentes aos dormitórios.

É por isso que, as descobertas do Dr. Pedro Vitorino (por acaso num alfarrabista, tal como eu descobri este opúsculo), são de enorme importância para um melhor conhecimento deste convento, e para ajudar à visualização de como o mesmo seria na fase final da sua existência. Reduzo a transcrição à comparação que o autor faz dos seus achados com a descrição do convento escrita no século XVIII e publicada pelo Dr. Andrea Cunha e Freitas.

"Da capela-mor encontram-se, justamente, os principais elementos: a planta e o alçado da reforma setecentista. Subscreve-os um monge-arquitecto pertencente à Ordem Carmelitana: Frei Pedro da Conceição. É nome desconhecido na nossa história da arte, e certamente autor de outros trabalhos da época sem paternidade averiguada. O Desenho da planta (ver abaixo) tem esta indicação exacta, de obstrusa ortografia, lançada pelo punho do autor:Planta Do emligimtº Da Capella mor e trebuna da igr.ª De S. Dominguos Da Cidade Do Porto e mostra tambem as 2 capellas colaterais e o mais que nella se ve feita oje 6 Dez.bro De 1733 Annos. Fr. Pedro Da Conceipção Carm.ta. O desenho colorido a castanho, azul, vermelho e amarelo, está feito em vulgar folha de papel almaço e ocupa metade dela. Apresenta as indicações das dependências, Capella-Mor, Caza junto A Sanchristia, Côro, etc e tem a escala em palmos. Nada indica da parte antiga que teve se ser demolida (capela axial e colaterais), - o que pena é -, representando unicamente a obra reconstrutiva.
Esta planta de elegimento tem como complementar outra, respeitante à parte baixa da tribuna, com esta legenda: Planta Da loge Da trebuna e tambem mostra o Chôro e o Começo Da escada Da trebuna.
A planta da nova obra evidencia bem a amplidão da capela-mor, aumentada especialmente em profundidade, e o sacrifício quase total das capelas laterais reduzidas a espaços restritamente necessários para os altares.
A cabeceira da igreja de S. Domingos, dotada de capela axial e absidiolos, era de semelhanças arquitectónicas com a do templo dos franciscanos, sendo bem de lamentar a reforma radical de 1734, no gosto insulso da época, da qual nos ficou a planta, hoje trazida a lume, do arquitecto carmelita Fr. Pedro da Conceição.


Num outro desenho (ver abaixo) está delineada a elevação dos arcos da cabeceira. A altura das capelas laterais foi reduzida na reforma afectuada, pois que orçando os primitivos arcos ogivais por 40 palmos, ficaram tão somente, depois, com 27,5. As dimensões da largura foram também alteradas, passando de 20 palmos que cada capela, antes, tinha, para 14. Dá-nos o estudo do Sr. Dr. Cunha e Freitas para altura do arco cruzeiro, depois das obras de reforma, 55 palmos, porém o citado desenho, pela escala, indica 48; os arcos laterias nivelam pelas impostas do arco central, o qual se eleva sobre estas, com volta perfeita, 15 palmos. Ao mesmo tipo de volta obdeciam os arcos das capelas laterais. O estilo era o barroco, jesuitico, destituido de decoração pomposa.Esse desenho tem, lançada pela mão do autor, a seguinte legenda:Planta De Perfil que mostra o Arcuo Da Capella mor Da Igr.ª De S. Domingos Da Cidade Do Porto. E mostra tambem os 2 Dos Colaterais Com os seus Altares e Banquetas, feita oie 27 de 7.bro De 1733 A.s por Fr. Pedro Da Conceipção, Carmelita.