sábado, 24 de novembro de 2012

A Capela do Rei Carlos Alberto (1)

Para a história desta capela, concorrem duas notícias interessantes que surgiram  no Jornal O Commércio" (primeiro nome d'O Comércio do Porto).
Não serão bem notícias, mas sim comunicados, que pessoas enviam aos jornais na expectativa de as verem ser publicadas. Muitos destes comunicados eram acusações e contra acusações, pessoais ou não.
Mas vamos ao que interessa! Este primeiro comunicado saiu a 11 de Setembro de 1854 e não ia assinado.

"A importância da cidade do Porto é toda comercial e a cidade mesmo em si, não encerra monumentos grandiosos, fontes elegantes ou estátuas que imprimem um cunho de grandeza a um centro de população e fazem admirar a estrangeiros.
Está-se contruindo agora no Largo da Torre da Marca, uma capela em memória do herói italiano, o Rei Carlos Alberto, mandada fazer pela Princesa, sua parente, que há pouco aqui esteve. Consta-nos que quando ela tratou mandar construir a capela, chamara vários arquitectos para lhe darem planos mas parece que afinal dera um esboço da obra, ao mestre pedreiro, encarregado da fiscalização dela, o arquitecto Sr. Pedro d'Oliveira.
Custa-nos a crer que se deixe um mestre pedreiro presidir aquela edificação, sem plano algum regular e conveniente; por isso lá vemos nas traseiras da capela que nos dizem gótica, duas janelas de feitio das de qualquer casebre moderno! As paredes laterais em lugar de pedra lavrada vão ser rebocadas exteriormente com cal, o que denota pobreza e mau gosto.
Pedimos por tanto à Ex. Câmara, como zeladora do afromoseamento da cidade, que dê a este negócio a devida atenção, se não quiser ver no largo da Torre de Marca um edifício sem beleza regular, nem harmonia, em fim um outro drop, mas de pedra.
Não somos mestre pedreiro, e pouco nos importa que quem justou a obra, ganhe muito ou pouco, falamos porque hoje em dia é preciso falar e porque estamos cansados de ver obras tristes e azangadas."

Esta estória não acabou aqui, e uns dias depois, o arquitecto Pedro d'Oliveira respondeu, no mesmo jornal, num longo artigo que ilustra muito bem o modo como esta capela foi idealisada e construida...





domingo, 4 de novembro de 2012

Traquitanas para ir a banhos à Foz...

Vasculhando um velho jornal do já longínquo ano de 1854, apareceu esta curiosa notícia, a qual transcrevo aqui pela "caricatura".
A polícia deveria intervir para que na época dos banhos, na estrada da Foz, os trens mais rococos não transitassem assim livremente, dando aos estrangeiros uma fraca ideia do progresso em Portugal. Têm-se mesmo ultimamente construido veículos indecentes e extravagantes; - há dias vimos um destes carros, que não era mais que o fundo de um carroção e cuja forma lembrava o barco Salva-vidas; há outro que parece uma tina, e o viandante ali metido parece que vai aproveitando o tempo tomando o seu banho.
Ainda se vêm por ai bolieiros de chapéu desabado e mal trajados, A polícia pode muito bem obrigar os donos das carruagens de praça a fazer uma reforma completa do material e no pessoal em harmonia com a decência e bom gosto que devem caracterizar uma cidade civilizada. in O Commércio de 9 de Agosto de 1854