segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O estado de ruína da Igreja da Graça em 1872

A 31 de Janeiro de 1872, na reunião camarária havida, dá-se indicação do estado de ruína da Igreja da Graça que pertencia ao Colégio dos meninos orfãos, fundado pelo Padre Baltasar Guedes, em que se lhe refere a ata nestes termos:

"(...) o sr, presidente informou os srs vereadores de que assistira, bem como o arquitecto da camara, o sr. Gustavo, a um exame a que, pela direcção das obras públicas se procedera na igreja da Graça, e pelo resultado dele se verificará que aquele templo, se achava em estado de ruina, como melhor poderia informar o sr. Gustavo. Chamado este senhor, relatou que tanto a frente da igreja como a parede do sul e parte da do norte ameaçam ruina, achando-se as paredes desapromadas, e com grandes fendas. Que o coro principalmente oferecia mais eminente perigo de ruina e que finalmete toda a igreja estava em mau estado de segurança, como ele próprio verificara bem como os outros peritos que tinham assistido ao exame. O sr. presidente, continuando, disse que, ouvida a informação dada pelo sr. Gustavo, era de necessidade representar-se o mais breve possível ao governo sobre este assunto, atendendo a que as obras que ouvessem de fazer-se para reparar o templo seriam muito dispediosas e nada aproveitariam em consequência do referido templo ter mais tarde de ser demolido para a continuação das obras da Academia.
Vista do lado da Praça de Parada Leitão em 1833. atualmente atrás do desenhista estaria o "Piolho".

Propunha, portanto, que se representasse ao governo no sentido de que em primeiro lugar ordene desde já que os exercicios religiosos da corporação dos meninos orfãos se faça na igreja dos Terceiros do Carmo, fechando-se a da Graça, pelo estado de ruina em que se acha, e em segundo lugar para que o governo destine outro edifício para onde se mude o colégio dos orfãos, visto a casa em que actualmente está achar-se também muito arruinada e não ter as condições precisas.

Foi aprovada a proposta do sr. presidente, devendo a representação ser acompanhada do auto que os peritos terão de lavrar em resultado do exame, bem como da informação do arquitecto da camara. (...)"
Vista do lado da Praça de Gomes Teixeira em 1833, atualmente atrás do desenhista estaria a fonte dos Leões.

A "Academia" aqui referida é a atual reitoria na Praça dos Leões. A frontaria da Igreja da Graça estava virada para poente, para a atual Praça de Parada Leitão (quase em linha recta com o conhecido "Piolho", atrás de onde agora se encontra a parede poente da reitoria.

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[Desenhos de Joaquim C. Vilanova, fonte BPMP.]

Post reformado em 21/10/2016