terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Próva effectuada á ponte pensil - parte 1

 (Artigo editorial do jornal O Periodico dos Pobres no Porto, em 30 de Março de 1853)


"Agora que o fumo dos foguetes se extinguiu no ar, que os sons da musica marcial deixárão de ferir os ouvidos porque a ponte pensil resistiu á próva official d'estabilidade, entraremos na analyse dessa prova, tendo à vista o relatorio do engenheiro o Sr. Mousinho que a ella presidiu. Não o faremos com animo hostil à empreza, nem para incutir receio no público; mas para que se exclareça a questão, porque em tal assumpto o occultar-se parte da realidade, ou uma crença erronea, podem ter consequencias desastrosas. Se a imprensa, antes do naufragio do vapor Porto, tivesse analysado o pêso que merecia a voz de estar arruinada a caldeira, se tivesse provocado um exame rigorozo do barco; o resultado seria, ou a condemnação daquelle vapor, ou a persuasão do seu bom estado; e foi ao pouco que nelle confiavão que principalmente se deve aquelle sinistro; pois se os passageiros não forçassem o commandente a retroceder da Figueira receosos de que não pudesse vencer o temporal pela proa, não lastimariamos hoje tantas mortes. A discussão é pois sempre util em taes circumstancias.

Tanto mais é para desejar que a discussão esclareça este objecto, por isso que a próva primeiramente annunciada ha mais de dous mezes com grande ruido, foi protelada com o pretexto de mau tempo, tendo neste intervallo havido dias successivos seccos e d'athomsphera limpa, o que não aconteceu naquelles em que a experiencia se fez; e verificando-se a final esta quando no Porto não estava nem o Governador Civil effectivo, nem mesmo o Secretario Geral que o substitue, pessoa cuja responsabilidade o Govêrno podia tornar mais effectiva.

Annunciada por terceira ou quarta vez para os dias 17 e 18, não se fez naquelle dia, apparecendo editais de que não se annunciaria de novo, e teria logar no primeiro dia de bom tempo; e a 18, sem annúncio algum se começou, sabendo-o nesse dia poucas pessoas. Apezar de que as pipas se enchião fora da ponte, não se dava acesso ahi ao público; as pipas vertião bastante; e tudo isto incutiu em muitos desconfiança. E que da parte mesmo dos empregados havia não pequeno receio pelo resultado dapróva, deprehendeu-se por se julgar um triumpho e um atrevimento o Administrador passar a ponte, quando carregada, n'uma sege a trote.

O relatório começa por classificar a ponte pensil « uma das mais bellas obras d'arte que temos no nosso paiz, e podendo dizer-se a mais atrevida que entre nós se tem construido ».

Esta belleza não a comprehendemos bem: a belleza d'uma obra d'arte deve avaliar-se tambem pela sua solidez e por corresponder aos fins, e não so pela sua elegancia e proporções: e tanto é duvidosa a primeira condição, que, depois de ouvidas as authoridades e pessoas competentes, julgou-se necessaria nova próva, e SS. MM. forão acconselhadas a que não fizessem por ella a sua entrada no Porto. E' constante, e não somos nós que o dizemos que o não vimos, que a amarração, do norte, dos cabos de suspensão ficou de maneira escondida que não póde verificar-se o seu estado de conservação: será isto belleza? a ponte foi collocada tão distante da maior passagem entre os dous caes, e isto por economia da empreza, que dous terços dos que passão o rio preferem embarcar a irem dar a volta pela ponte: será isto belezza?  e quando houverem de andar diligencias na estrada de Lisboa, tem de abrir-se de proposito uma comunicação entre a ponte e o caminho que se talhar para ellas.

«A mais atrevida: » se o atrevido está em ser a delgadeza de seus cabos mui notavel em relação á sua extensão, como attestão pessoas que tem examinado n'outros paizes obras deste genero»; concordamos: mas não é atrevimento que louvemos. Mais atrevida seria se fosse, como a empreza primitivamente contractára, em frente da rua de S. João; mas entre duas montanhas de granito, e no mais estreito do rio, não sabemos que menos atrevida pudesse ser. Atrevida seria uma ponte de pedra que desde muito se projectára no Porto, entre a Serra do Pilar e a Casa Pia: essa sim seria atrevida, mas tornaria o Porto mais magestozo, tornaria uma so as duas povoações ao norte e sul do Douro, e facilitaria grandemente o transito para a estrada de Lisboa.

Mas vamos á próva e ao que ella vale.

« O maximo pêzo a que uma construção destas tem de resistir, suppõe-se ser o de uma multidão de gente a pé, que cubra todo o seu pavimento; este pêzo está calculado entre 195 e 200 Kilogramas (429 a 440 arrateis) por metro quadrado.»

Esta base de pêzo é exacta se calcularmos uma passagem regular em dia de concorrencia, e não uma agglomeração extraordinaria de gente: n'um quadrado de quatro palmos e meio por lado, estavão certamente mais do que 4 pessoas n'um apinhamento de povo como o que concorreu ao caes na entrada de SS. MM., ou em outras occasiões de grande affluencia.

O maximo pêzo? pois se por a ponte houvesse de passar um trem de artilharia, um regimento de cavallaria, uma sequencia de transportes carregados, esse pêzo não podia ser muito maior?

Dir-me-hão que esse caso se não dá, porque se prohibe por cautella: mas então diga-se que se fez a próva somente para pessoas a pé e não andando, e que pelo mais não respondem.

A próva foi sommente em relação á pressão de infantes immoveis. E não tem a ponte de soffrer a acção de outras forças que ataquem a sua estabilidade? Se em vez do pêzo dessas duas mil e tantas pessoas para que a ponte foi experimentada, essas pessoas caminharem; poder-se-há affirmar que a ponte resistirá? e se essas duas mil pessoas forem de tropa, que caminhem a passo certo, mais ou menos accelerado, poder-se-há assegurar que poderão passar sem risco? Não pertendeu demonstrar, se não demonstrou, um engenheiro francez, por occasião do desastre d'uma destas pontes, que não havia uma unica Ponte pensil em França, apesar de serem em geral mais fortes, que ressistisse á passagem de um batalhão a marche-marche?

A mesma experiencia triumphante do Sr. Administrador correr a trote em sege pela ponte carregada, adduz receio de pouca estabilidade, se é certo, como affirma um preambulo do J. do Povo, que fez repuxar a agoa pelos batoques das pipas a palmo ou palmo e meio d'altura. Que oscilação não era preciso produzir no estrado da ponte para se dar este effeito? E se fossem oito ou dez seges que passassem a trote, mesmo descarregada a Ponte, a que fôrça de flexão não corresponderia, e demais em sentido alternativamente contrário, a que o ferro resiste menos?

Até aqui não consideramos senão os effeitos das fôrças de flexão; e ja temos demonstrado que a próva não demonstrou que havia estabilidade para todos os casos, e menos no de movimento. Porêm se attendermos tambem ás fõrças de torsão a que os cabos e os arames verticaes podem estar sujeitos por um temporal, mesmo por um vento algum tanto rijo, a próva demonstra ppor ventura a estabilidade nesse caso?

Se attendermos pois ao pêzo, ao movimento, e a uma mesmo não grande fôrça de torção, que nos habilita uma próva usual, como a que se fez, para nos dar plena segurnaça?

Quando a ponte tinha meia carga, o augmento na flexa pareceu excessivo, e o não corresponder a esse o augmento com a carga total, fez que se attribuisse ao calor do sol parte desta dilatação, o que confirma por a comparação desse augmento em diversas horas do dia. Concedido, de barato, que a acção solar tivesse tanta influencia na experience, não era essa mais uma razão para que a próva se tivesse feito no inverno, em que, o calor solar sendo menos intenso, era a dilatação do ferro menos influida por essa causa estranha á experiencia?

Convem tambem que o público saiba bem o que vale uma próva destas, ainda quando feita com o maior escrupulo. O tempo entra por muito nas condições d'estabilidade, principalmente quando a oxidação ou outros agentes como a agoa podem operar mudança notavel nos corpos de qe depende essa estabilidade. Não vimos nós  muro da cidade sôbre o rio resisitir por seculos a cheias, a terremotos, a projectis de artilharia? que melhor próva de estabilidade do que as duas últimas cheias, principalmente a primeira, em que não so não soffreu apparentemente abalo, mostrado por fenda ou desaprumo, apesar do choque da corrente, e da tração produzida pelas amarrações de navios, as quais transmittião ao ponto de apoio no muro a fôrça com que a grande corrente os impellia? E no emtanto algumas semanas depois desta grande próva d' estabilidade, o muro desabou, sem o menor choque ou tracção, e poz em risco de desabarem algumas moradas de casas que sôbre elle se apoiavão: e se nessa occasião houvesse concorrencia de povo a elle encostado, terião havido muitas victimas.

E' este um objecto em que, para qualquer empreza, deve a boa fé estar acima de interesses mesquinhos. Diga-se o que vale a próva, o que é a próva; que, havendo cautelas em não passarem muitas pessoas junctas, e menos em passo certo; em não percorrerem junctos muitos transportes; e não se dando a circumstancia de um vendaval; a ponte podera considerar-se segura na actualidade: mas que essa segurança póde falhar por differentes causas. E sendo a oxidação um dos peores inimigos da sua duração, porque se insiste em pintar de preto e não de branco os arames, quando esta côr é acconselhada por deixar melhor conhecer a ferrugem?

O engenheiro que dirigiu a experiencia merece-nos muito conceito de amor pela sciencia para que não se dê ao trabalho de esclarecer-nos e o público sôbre estas dúvidas, a que chamamos a sua attenção, e a discussão das pessoas mais versadas nesta especialidade, ou que a professão."

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A coalisão

Continuamos na esteira de Alberto Bessa na divulgação de alguns periódicos editados no Porto no século XIX. Sobre esta folha temos as seguintes palavras:

Assim se denominou um periodico diario, politico e noticioso, cujo primeiro numero sahiu, no Porto, a 2 de Janeiro de 1843, sahindo o ultimo a 23 de Abril de 1846. Era um jornal de quatro páginas, a trez columnas de composição, inserindo os anuncios no logar do artigo editorial e collocando este a seguir aos anuncios dos navios a sahir. Era impresso na Typographia de Faria Guimarães, rua de Santa Catarina, 427. Seguia a politica historica (patoleia), que mais tarde se fusionou com os reformistas, fusão de que sahiu o partido progressista.

In O Tripeiro, 3ª série, 1º ano, p. 210

sábado, 21 de dezembro de 2013

A Rua dos Banhos

"A mão do progresso, passando por cima das velharias clássicas, vae transformando por toda a parte em sitios arejados e limpos, becos immundos e abafadiços, que serviam de commoda habitação para nossos paes, mas onde as gerações modernas acabariam infallivelmente por asphyxiar-se.

O Porto antigo era uma cidade de becos tortuosos, de viellas immundas. Mas o nivel da civilisação, invadindo tudo, derribou, alargou, aperfeiçoou, e dentro de poucos annos, a continuar este afan, só de nome se conhecerão as velhas ruas, sepultadas hoje sob as fileiras de elegantes edificações.

A rua dos Banhos é uma d'aquellas de que já não resta o menor traço. Pois não era das de menos importancia da cidade; era até das de maior ruido d'outros tempos. Ruido na verdadeira accepção da palavra.

Alli, a dous passos d'ella, sob a aboboda d'aquele arco, aberto na muralha da cidade, e coroado d'uma cousa que que mereceu aos nossos bisavós o nome de forte, apinhavam-se os barqueiros, que em todos os tons da escala da apoquentação humana, martyrizavam os viandantes perguntando-lhes se queriam ir para além. Os caleches, procedentes da Foz, giravam saltando por cima do mal calçado pavimento da rua, com grave incommodo para os membros dos que iam dentro e flagrante offensa dos ouvidos dos que passavam fóra. E como se isto não fosse tudo, moravam por alli uns tanoeiros, que martelavam todo o santo dia, pondo em agoa as cabeças do respeitavel publico.

Era pois uma rua de muito ruido a dos Banhos.

De dia era isto; mas de noite mudava muito de figura. Então a rua dos Banhos tomava um certo caracter poetico, que era exactamente o contrario do que se passava de dia. De dia era o afan do negocio; de noite a avidez do prazer!

O botequim do Pepino será para sempre memorável nos annaes do Porto. Muitas desordens alli houve! Muitos descantes acordaram os eccos solitarios do rio Douro! Muitos fadistas de banza debaixo do braço sahiram d'alli para o Carmo, não sem terem em antes experimentando forças com a patrulha municipal!

Aquella casa era frequentada principalmente por tripulantes dos navios inglezes, que vinham abastecer a cidade de bacalhau; e aquelles que assim tinham tanto cuidado em que não morressemos á fome, não se inquietavam por que viessemos a morrer á sede, e arrecadavam á farta nos seus impermeaveis estomagos o nosso rico Port-wine. Assim, no relogio do Pepino, cada minuto marcava uma bebedeira, que, principiando alli, ia completar-se em alguma das tabernas dos Banhos.

Eram immundissimas aquellas pocilgas da prostituição e da crapula; mas os nossos fieis alliados, depois d'aboborados os cascos, não achavam prazer acima do de dançarem algumas horas abraçados áquellas nymphas avinhadas, ou regougarem algumas modas da sua terra ao som da guitarra, tangida por ladino filho da Entruja.

Por fim de muito tumultuar, esta orgia tinha sempre dous modos de findar: Se o guitarrista dava leves indicios de ciumes, porque alguma das nymphas parecesse sympathisar com o roast-biff, a banza não tardava a voar pelos ares feita em cavacos, e ás delicias de Orpheo succediam as do socco inglez, destribuido pelos pulsos afeitos a ferrar o joanete. Então as deusas, transformadas em eumenides, de olhar irado, faces rubras e cabellos em desalinho, faziam ouvir uns gritos roufenhos, que acordavam a guarda, que, muito de proposito para prevenir dissabores, estacionava no chamado forte, que, para ser tudo, até no século passado tinha o seu commandante sem soldados naturalmente (1), e lá ia toda a sucia dormir ao Carmo. E a dormir acabava invariavelmente a funcção, porque de outro modo, quando entre os folgasãos não era perturbada a doce paz, Morpheu encarregava-se de pôr termo á festa, e dentro de poucas horas resonavam estendidos uns por cima dos outros nymphas, marujos e fadistas.

Era este o espetaculo de todas as noites, sem que o cartaz variasse sequer, de um dia para o outro, os nomes dos actores.

E muitas vezes aquelles tenebrosos sitios tornavam-se focos de tremendas conspirações contra as vidas dos filhos d'Albion, que por fim eram sempre o bode expiatorio das vistas cubiçosas dos collegas da orgia. E não raro o que principiava em simples comedia acabava em pura tragedia. Até se dizia que no Pepino se matavam inglezes, se roubavam e se arremassavam os cadaveres ao rio. Esta reputação tetrica, além do que fica dito, dava grande importância ao botequim  e ás suas irmãs gemeas, as tabernas dos Banhos.

Se o leitor já está convencido de que a rua dos Banhos era uma das de mais ruido do Porto (eu refiro-me aos leitores que não conheceram aquella rua) resta-me convidal-os a ir ao sitio em que ella se ostentou outr'ora, orgulhosa nos seus vicios, soberana na sua immundice, despotica na ralé dos seus frequentadores; convida-os a ir alli escutar os seus eccos, que já não trazem o minimo rumor de tanta vida, e dirão, passados de surpreza:
- Pois será possivel?

Era exactamente o que eu diria se não tivesse conhecido a rua dos Banhos tão bem como as minhas mãos.

Isto tem uma explicação:
É que a rua dos Banhos teve a sorte das grandes povoações, a sorte de Pompeia e Herculano, de Carthago e de Babylonia. Onde houve outr'ora uma vida activa, é hoje o nada. Por cima de uma população tão inquieta, paira agora o deserto.[2]

Até nisto foi grande a rua dos Banho!"


1- Em 19 de Janeiro de 1719 foi nomeado pela camara commandante do Forte da Porta Nova (ou Nobre) o capitão Diogo d'Andrade Gramacho. E´ histórico.

[2 - Depreendo que este "deserto" se refira a todo aquele bairro estar já sem casario mas ainda com o empedrado das ruas "à mostra", à espera de ser soterrado para criação da sapata da Rua Nova da Alfândega, aquando este texto foi escrito].

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Excerto do primeiro capítulo de um romance publicado no Archivo Popular, em 1873. Autor: António Augusto Leal.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Uma fotografia da Porta Nobre

Já falei sobre a Porta Nobre sobretudo nos primeiros posts deste blogue. Volta ao tema para deixar aqui uma foto dessa mesma porta, sendo que é a mais "nítida" que conheço dela.

A Porta Nobre ou Nova foi a penúltima porta da muralha da cidade a ser eliminada, em 1872. Seguir-se-ia a Porta do Sol em 1875(?). Contudo este última já não apresentava o seu aspecto medieval pois fora reconstruida na época dos Almadas.

Vê-se também o fortim que ficava ao lado da porta, que terá tido como último uso o de depósito de armas(?).  Alguém poderá ajudar quanto à história deste fortim manuelino, construído aquando da transformação do postigo em porta?

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Clamor Público

Muitos foram os periódicos publicados no Porto desde a publicação da lei da imprensa (e mesmo antes) em 1834. A esmagadora maioria deles teve vida curta. Alguns viveram décadas mas passaram já ao esquecimento como mais tarde ou mais cedo a tudo o que material neste mundo. Outros ainda existem ou existiam até há bem pouco tempo e ainda se encontram na memória de muitos.

O O Clammor Público foi um desses jornais efemeros, e o primeiro que serve de mote para repescar as informações precisosas de Alberto Bessa na sua listagem de periodicos portuenses (temáticos ou não, revistas ou folhas) que o mesmo publicou na revista O Tripeiro na sua 2ª, 3ª e 4ª série. Outros se seguirão... Mas fiquemos então com as palavras, aliás breves, de Alberto Bessa referentes a este jornal.

Era um "diário politico, litterario e commercial", cujo primeiro numero apareceu, no Porto, a 15 de Setembro de 1856, prosseguindo na publicação até 30 de Setembro do anno immediato. Era de formato regular, e rasoavelmente redigido, sendo seu redactor principal, editor, responsavel e proprietario A. B. S. Faria J. das Regras. A redação era na rua de S. João, 59 e a impressão fazia-se na Typographia de Rodrigo  J. de Oliveira Guimarães, ao tempo sita na mesma rua, 85. N'este periodico colaboraram, entre outros, Amorim Vianna, Alexandre Braga, Camilo Castello Branco, Augusto Soromenho, Coelho Louzada, Evaristo Basto, etc. A coleção do Clamor Publico constitue um grosso volume sobremodo interessante.

In O Tripeiro, 3ª série, 1º ano, p. 210

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Capela dos Alfaiates

A Capela dos Alfaiates, construida em 1554 situava-se originalmente em frente à porta da Sé. Contudo em 1935 foi expropriada pela Câmara, juntamente com os arruamentos adjacentes, para a construção do Terreiro da Sé.

NOTA: Todas as fotos abaixo foram todas retiradas do site da SIPA (www.monumentos.pt).


1) Local original da implementação da Capela. Actualmente tudo isto é um descampado chamado Terreiro da Sé e tudo - com a excepção da própria Sé cuja escadaria de entrada aqui vemos - desapareceu.


2) A capela no seu local original. vemos também ainda a maior parte do casario que a envolvia e que também foi demolido.


3) Duas perspectivas - lateral e frontal - da Capela já a ser preparada para a demolição. A segunda foto foi com certeza tirada da porta da Sé, pois a rua não tinha largura suficiente para dar esta perspectiva do edifício.



4) A capela no local onde se encontra desde os finais dos anos 30 do século XX, à entrada da Rua do Sol/Rua de S. Luís.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Chafariz do Anjo

A 10 de Dezembro de 1845 (há precisamente 168 anos) era colocado no centro do Mercado do Anjo o seu chafariz, que era o que pertencera às Carmelitas. Tinha duas taças, quatro golfinhos, uma árvore e uma águia abraçada a um menino; o mesmo fora completamente lavado apresentando um aspecto de novo.

Note-se que este chafariz não é o que esteve a maior parte da vida deste mercado no seu centro. Por qualquer razão o povo não gostava dele e por isso acabou sendo substituido.

NOTA: O primeiro parágrafo é adaptado de uma notícia retirada de O Periódico dos Pobres no Porto.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Porto de oitocentos

Criei um novo blogue onde irei colocar alguns textos que tenho vindo a recolher dos jornais do século XIX, não tão relacionadas com a cidade de uma forma geral mas mais centrado em pequenas notícias, muitas delas perfeitamentes singelas e desimportantes para o estudo da cidade, mas que no seu todo fazem um quadro bastante interessante, e normalmente dadas de uma forma que podemos chamar literária... pretendo assim fazer uma maior destrinça dos temas globais dos pessoais.

Para mais explicações, vejam e sobretudo disfrutem - assim espero - com agrado daquele novo espaço! O link é:   http://oportodeoitocentos.blogspot.pt

domingo, 8 de dezembro de 2013

Reorganização da cidade no ano de 1860

"MAPA Nº 1
Mapa das ruas, largos, travessas e vielas, que prolongando-se com diversas denominações, ficam agora reduzidas a uma só.

Rua do Almada, rua das Hortas > ficam ambas sob a denominação de Rua do Almada.
Rua de Santa Catarina, rua Bela da Princesa > rua de Santa Catarina
Rua de Cedofeita, rua da Cruz, rua 9 de Julho, até à Barreira > Rua de Cedofeita
Rua da Torrinha, rua do Priorado > Rua da Torrinha
Rua da Boavista, rua 25 de Julho > Rua da Boavista
Rua da Porta de Carros, rua do Bonjardim, rua do Bairro Alto, rua da Aguardente > Rua do Bonjardim
Rua do Laranjal, rua dos Três Reis Magos > Rua do Laranjal
Rua de D. Pedro, rua dos Três Reis Magos > R. de D. Pedro
Rua da Alegria, rua do Caramujo, rua 24 de Agosto > Rua da Alegria
Rua do Campo Alegre, rua de Santo Amaro > rua do Campo Alegre
Praça de Carlos Alberto, rua dos Ferradores > Praça de Carlos Alberto
Rua de S. Nicolau, largo da Ourivesaria > rua de S. Nicolau
Rua dos Caldeireiros, rua da Ferraria de Cima > Rua dos Caldeireiros
Rua de Costa Cabral, rua 25 de março > Rua de Costa Cabral
Praça de D. Pedro, Porta de Carros > Praça de D. Pedro
Rua dos Lóios, largo dos Lóios > Largos dos Lóios
Rua 27 de Janeiro, rua 15 de Setembro > Rua da Constituição
Praça da Batalha, largo de Santo Ildefonso > Praça da Batalha
Largo de S. Bento das Freiras, rua do Loureiro > Rua do Loureiro
Rua de S. Lázaro, rua 29 de Setembro, rua do Padrão de Campanhã > Rua de S. Lázaro
Rua Direita, rua dos Ferradores, Largo de S. Roque, Senhor do Loureiro, e Palhacinhas (Vila Nova) > Rua Direita
Sítio dos Guindais, sítio da Praia (Vila Nova) > Rua da Praia
Rua dos Marinheiros, rua de Baixo (Vila Nova) > Rua dos Marinheiros


MAPA Nº 2
Mapa das ruas, largos, travessas e vielas, cujas denominações ficam alteradas para se distinguirem de outras que as tinham idênticas.

Rua do Calvário (Massarelos) - fica sendo rua do Golgota
Rua das Flores (Massarelos) > Rua de Flora
Rua de Cimo de Vila (Foz) > Rua do Alto da Vila
Rua Formosa (Foz) > Rua Bela
Rua da Boavista (Foz) > Rua da Bela Vista
Rua da Conceição (Foz) > Rua da Mãe de Deus
Rua da Alegria (Foz) > Rua dos Prazeres
Travessa da Alegria (Foz) > Travessa dos Prazeres
Rua de S. Bento (Foz) > Rua Beneditina
Rua de S. João (Foz) > Rua de S. João da Foz
Rua da Trindade (Foz) > Rua Trinitária
Rua do Laranjal (Foz) > Rua das Laranjeiras
Travessa do Laranjal > Travessa das Laranjeiras
Rua Direita (Foz) > Rua Central
Rua do Pinheiro (Vila Nova) > Rua do Pinhal

MAPA Nº3
Mapa das ruas, largos, travessas e vielas, cujas denominações para mais simplificação e facilidade ficam alteradas.

Rua 16 de Maio fica sendo > Rua de Santo Ovídio
Rua 9 de Julho (de Barreiras para fora) > Rua da Liberdade
Rua 23 de Julho, ou Direita - Rua de Santo Ildefonso
Rua Nova de S. João > Rua de S. João
Rua Nova dos Ingleses > Rua dos Ingleses
Campo Grande > Campo do Poço das Patas
Calçada do Mirante > Rua do Mirante
Calçada dos Clérigos > Rua dos Clérigos
Travessa da Praça de D. Pedro > Travessa de D. Pedro
Beco do Arrabalde > Viela do Arabalde
Travessa da Rua Bela da Princesa > Travessa de Santa Catarina
Beco de S. Macário > Viela de S. Macário
Beco do Poço > Viela do Poço
Calçada dos Carrancas > Rua dos Carrancas
Calçada do Corpo da Guarda > Rua do Corpo da Guarda
Beco das Panelas > Viela das Panelas
Beco de S. Salvador > Viela de S. Salvador
Beco dos Cadavais > Viela dos Cadavais
Beco do Peixe Galo > Viela do Peixe Galo
Beco de S. Dionísio > Viela de S. Dionísio
Beco do Monte Belo > Viela do Monte Belo
Rua da Ferraria de Baixo > Rua da Ferraria"

Mapas elaborados pelo Governo Civil do Porto e publicados na Imprensa e em todos os lugares públicos da cidade em 20 de Abril de 1860