quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Mudança de toponímia em 1835

Na sequência da Guerra Civil do qual D. Pedro IV se sagrou vencedor, derrotando e condenando ao exílio o seu irmão D. Miguel (bisavó do nosso contemporâneo D. Duarte Pio), a cidade pretendendo homenagear os "gloriosos" acontecimentos, alterou a toponímia naquela que foi, presumo, a primeira mudança de toponímia significatica. A maioria delas cairam já em desuso, mas algumas prevaleceram até à actualidade.
Mas sigamos com o que surge publicado no Periodo dos Pobres no Porto em 20 de Novembro desse ano.

"A Illm.ª Camara Municipal desta Cidade com o fim de recordar os dias, nomes, e acontecimentos notaveis da Guerra porfiosa que cubrio de Gloria esta Cidade heroica, e de guardar um como monumento desses feitos gloriosos: resolveu em Vereação de 28 de Outubro passado que as ruas, praças e campos designados na Lista seguinte houvessem d'ora ávante as denominações ahi declaradas.

>Largo do Olival ......... Largo dos Martyres da Patria
>Praça da Feira do Pão ......... Praça dos Voluntarios da Rainha
>Praça do Mirante ......... Praça do Coronel Pacheco
>Praça do Carvalhido ......... Praça do Exercito Libertador
>Campo de Santo Ovidio ......... Campo da Regeneração
>Campo da Torre da Marca ......... Campo do Duque de Bragança
>Rua de Santo Ovidio ......... Rua de dezasseis de Maio
>Rua do Reimão desde o Jardim de S. Lazaro até ao principio da Calçada que desce para Campanhã ......... Rua de vinte e nove de Setembro
>Rua da Boavista desde a rua de Cedofeita para o poente ......... Rua de vinte e cinco de Julho

>A continuação da Rua do Bolhão desde a Capella das Almas ......... Rua de Fernandes Thomás
>Desde o Largo de Carvalhido até á Fonte de Cedofeita ......... Rua nove de Julho
>Rua Direita de Santo Ildefonso desde o largo do Paço das Patas até ao de Santo Ildefonso ......... Rua de vinte e três de Julho

>O Postigo do Sol ......... Bateria do Postigo do Sol
>O Terreiro da Alfandega ......... Bateria do Terreiro da Alfandega
>Largo das Virtudes ......... Terreiro das Virtudes
>Largo da Victoria ......... Bateria da Victoria
"

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Periodico dos Pobres no Porto

"Do jornalismo portuense de outros tempos foi esta fôlha a que mais importância logrou conquistar e a que mais influência exerceu nas lutas políticas travadas no Pôrto. Foi o órgão do partido cartista, que no Pôrto teve um dos seus mais poderosos baluartes. O fundador e proprietário do jornal foi Joaquim Torcato Álvares Ribeiro, lente da Academia Politécnica, nas cadeiras de matemática e astronomia. O número 1 apareceu a 15 de Janeiro de 1834, e de tal modo o jornal ganhou raízes na população que só terminou em Março de 1858, mantendo-se, durante todo êsse largo periodo de existência, sempre com galhardia e aparente desafôgo, vendo nascer e morrer muitas outras publicações do seu género, não poucas criadas para o combater. Apresentou diversos formatos, sendo o mais vulgar de 26x40 centímetros, impresso no papel almaço (ou antes mata-borrão) em que tôdas as impressões se faziam nessa época de manifesto atraso industrial. No seu género de político e noticioso, foi também um dos jornais mais bem feitos do seu tempo, deixando as melhores tradições no jornalismo portuense.

Simbolo d' O Periodico dos Pobres no Porto
Foi seu redactor e responsável, entre outros vários, o bacharel João Guilherme de Almeida Pinto. O folhetinista, em sentido humorístico, de crítica desapiedade aos políticos da época, foi, desde 1838, José de Sousa Bandeira, que, com o pseudónimo e Braz Tizana ali colaborou durante muitos anos, até 1851, ano em que se desligou dos compromissos que tinha neste jornal e foi fundar periódico seu, dando-lhe como título o pseudónimo de que usava (...).

A redacção e tipografia do Periodico dos Pobres eram na própria casa de Álvares Ribeiro, primitivamente na rua dos Lavadouros, 16, e mais tarde na rua Chã, 67, oficina que foi uma das mais produtoras do Pôrto, em jornais políticos, especialmente.

Entre os diversos processos que foram movidos ao Periodico dos Pobres, em harmonia com as leis de imprensa do tempo, avultou, pelo ruído que fêz, aquele a que o chamou o marechal Saldanha, quando se julgou injuriado por uma notícia ali publicada sôbre assunto de carácter particular e que, com efeito, parece não ter tido fundamento sério. Saldanha era muito querido no Pôrto, o periódico não o era menos e o processo apaixonou vivamente a opinião.

(...)

Alberto Bessa in o Tripeiro, 4º Série, Abril de 1931

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um projecto que nunca foi avante...

No Arquivo Histórico Municipal do Porto, na casa do Infante, encontra-se armazenada preciosa documentação sobre a história e evolução da cidade, da sua urbanização, desenvolvimento, suas gentes...

A imagem abaixo mostra um projecto de Setembro de 1893, para estabelecer-se uma ligação entre a cidade alta e a cidade baixa, através do morro da Vitória, passando pela Rua de Ferreira Borges.

O projecto, guardado neste arquivo onde se apresentam várias plantas cuidadosamente desenhadas mostrando como funcionaria o mecanismo do tramway e suas partes, englobava um ascensor ao jeito do que existiu nos Guindais e também um outro vertical como o existente actualmente na Ribeira, e tem o seguinte título:

Projecto de um tram-way cabo destinado ao transporte de passageiros entre a Rua do Infante D. Henrique e o Largo de S. Domingos sobre a Rua Ferreira Borges
e
Projecto de um ascensor vertical destinado ao transporte de passageiros entre este último ponto e o Jardim da Bateria da Vitória



O projecto contudo não foi avante. Talvez motivado pelo desastre do ascensor dos Guindais, a cidade do Porto, uma das cidades que naquela época provavelmente mais utilidade acharia em semelhante meio de transporte, fechou as portas à sua existência; de vez!

Fica aqui esta imagem para recordar o que poderia ter sido, e uma outra mostrando abaixo o local onde ele iria começar e terminar.




NOTA: Para quem tiver tempo e vontade aconselho passarem no AHMP e verem esta planta e as outras associadas com mais pormenor, por forma a ficarem com uma melhor ideia de como estava este projecto desenvolvido. Além das plantas (esta por exemplo tem o tamanho de uma mesa de jantar de natal...) existe também a memória descritiva do mesmo, que abre o volume.