domingo, 25 de janeiro de 2015

A antiga fábrica do Gás no Ouro

Abaixo podemos ver o que resta na actualidade dos edifícios pertencentes à antiga empresa de fabrico do gás que durante várias décadas iluminou a cidade do Porto. Podemos compará-la com a imediatamente abaixo, antiga, que apresenta a fábrica no seu auge, fornecendo a electricidade para abastecimento da cidade.


É claro que a fábrica não nasceu logo com esta configuração. Antes foi sendo ampliada e modificada consoante as necessidades que a empresa apresentava, provocadas pelo constante aumento de energia demandada pela cidade.

Em 1855 contudo, este local ficava ainda muito longe da cidade. Talvez por isso ela se tenha estabelecido aqui. Pelo baixo valor dos terrenos(?) e pela segurança que dava a grande distância a que se encontrava, um pouco como a Refinaria de Leça nos anos 50 do século XX(?).

Um dos edifícios deste conjunto, porventura o mais antigo, foi instalado ao lado do já existente gasómetro e teve a sua planta aprovada na Câmara em Agosto de 1856 (é o que vemos abaixo).


Este edifício felizmente ainda existe, como comprovamos pela imagem abaixo.


Ao seu lado, subsiste também um outro edifício, este já mais moderno, que resulta da necessidade da fábrica de produzir electricidade. A sua planta foi aprovada na Câmara em Fevereiro de 1907.


Eis parte da planta:


E a memória descritiva constante na planta submetida:

"Os edificios destinam-se á installação dos geradores e motores destinados a fornecer a corrente para illuminação electrica da cidade.
O edificio para sala das machinas terá dois pavimentos.
O edificio para sala dos geradores e compartimentos annexos terá um só pavimento.
A chaminé será construida de alvenaria de tijollos e terá 38 metros de altura approximadamente acima do solo.
As fundações dos edificios serão feitas de alvenaria hydraulica, de granito.
As paredes em elevação serão de alvenaria de tijollos, rebocadas e estucadas no interior e com tijollos á vista no exterior com excepção dos soccos, pilastras e entablamentos que serão guarnecidos imitando cantaria clara.
As paredes levarão uma structura metallica composta de prumos em ferro laminado, os quaes supportarão as asnas egualmente feitas em ferro laminado, assim como as madres, varedos e ripas que serão do mesmo metal, com excepção das madres, forro e ripas da sala das machinas que serão de madeira do norte.
Os edificios para armazem d'oleo, vestiario e WC1. annexo á sala das caldeiras, levarão na parte superior um terraço feito com vigamento de ferro I, abobadilhas e betonilha de cimento.
A cobertura será feita com telhas ceramicas do typo de Marselha.
O pavimento intermediario da sala das machinas terá vigamento de ferro I, abobadilhas de tijollos e ladrilhos mosaicos hydraulicos.
Os pavimentos terreos serão feitos com betonilha de cimento e beton hydraulico.
As escadas interiores serão de ferro, assim como a ponte circulante.
Os massiços das machinas, geradores, conductas de fumo, cisternas, serão de alvenaria de granito ou tijollos.
As portas e janellas serão de madeira de riga.
As claraboias das coberturas serão cobertas com vidros.
A canalização das retretes será feita em harmonia com os regulamentos sanitarios e posturas municipaes.
A parte superior das fundações levará uma camada de asphalto de 0,m025 de espessura."

A forma desta não é totalmente condizente com a que se nos apresenta na actualidade, fruto de alguns acrescentos posteriores. Como observação, não podemos deixar de notar a similaridade arquitectural exterior do corpo principal deste edificado, com a Central Termoeléctrica de Massarelos da CCFP, datada sensivelmente na mesma época.

Para terminar, deixo mais duas imagens das estruturas subjacentes e um apelo: Na zona mais afastada deste conjunto, mais próximo do palacete, uma pequena parte da área onde estiveram as retortas do gás, ainda é usada para actividades desportivas. Poderá algum dos leitores indicar por qual "colectividade"?



Fontes:
- Arquivo Histórico e Municipal do Porto
- Blogue Monumentos desaparecidos
- Bingmaps
- Algumas fotografias do autor

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nota de rodapé n.º 2 - A definitiva organização da cidade

No primeiro ano da revista O Tripeiro (1908-1909) surge publicada a obra do Dr. Ricardo Jorge intitulada Origens e desenvolvimento da população do Porto. Nele, a pp, 248 encontramos a seguinte nota de rodapé, que mais curiosa se torna quando a lemos à luz do século XXI, tendo em conta todo o século que sobre ela permeia:

"... Recentemente rasgou-se, por accôrdo da Camara e Governo, uma estrada de circumvallação, que obrigou a uma nova limitação municipal, exarada no decreto de 21-11-95 (Diario n.º 267), que encorporou no Porto as freguezias de Ramalde, Nevogilde e Aldoar, todas do concelho de Bouças, já pelas annexações anteriores despojado para o alargamento da cidade.

A organisação actual é muito viciosa e criticavel; confere ao municipio uma área desproporcionada, retalha a freguezia de Campanhã, cortando metade já incluida no Porto desde 36, emfim faz discordar a divisão administrativa da divisão parochial e ecclesiastica, o que é inconveniente sob todos os pontos de vista, e particularmente para a estatistica.

Entretanto temos defronte a visinha Gaya, intimamente relacionada com o Porto pelo seu passado e pelo seu commercio, hoje ligada por duas pontes, que bem devia formar corpo com a cidade, um Porto occidental."

Olhando ao texto do autor que deu origem a esta nota de rodapé, este elucida sobre o como era a cidade anteriormente a 1895:

"... Os suburbios enredados pelos braços de polvo das ruas irradiadas da cabeça da cidade, tornam-se citadinos; o municipio absorve as freguezias cirundantes. Até 1836, consta o Porto propriamente de sete freguezias, Sé, Victoria, S. Nicolau, Santo Ildefonso, Miragaya, Massarelos e Cedo'feita. Pelo decreto de 26-11-36, foram-lhe annexadas Lordello do Ouro, Campanhã e S. João da Foz; e por carta de lei de 27-8-37, nova annexação, a de Paranhos.

...Santo Ildefonso, d'uma área enorme, foi desmembrada, creando-se á sua custa uma nova freguezia, a do Senhor do Bomfim."

Assim, vemos resumida, a expansão em área da cidade do Porto, em poucas linhas e torna-se (pelo menos pelo autor deste blogue) um pouco mais claro o porquê de nos jornais do início do século XIX se designar como suburbanas as freguesias de Massarelos e Cedofeita; porque o eram de facto.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A Fábrica do Tabaco

Num jornal pesquisado há uns largos meses, e do qual infelizmente não registei o nome, encontro o anúncio da arrematação da Fábrica do Tabaco, que deu nome à Rua da Fábrica do Tabaco (que já naquela altura assim se chamava). Neste terreno estão hoje edificados alguns bonitos edifícios e bem assim o famoso Hotel de Paris.

Segue a transcrição:

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Para o dia 19 de Março d'este anno
de 1860
ARREMATAÇÃO VOLUNTARIA
de
TODO O EDIFICIO
da
ANTIGA FABRICA DO TABACO
Na caza das arrematações, rua do Almada, n.º 66, escrivão Lima

O todo d'esta grande propriedade compreende 7 moradas de cazas com um grande quintal e agua, com frente para a rua de Santa Thereza, desde o n.º 27 até ao 31, continuando para a rua da Fabrica do Tabaco desde o n.º 1 até 5, - faz volta para a Travessa da Fabrica do Tabaco desde n.º 1 até o fim do muro do quintal; tendo por medição no lado nascente, de norte a sul, 225 palmos - pelo poente, de norte a sul, 277 palmos - pelo norte, de nascente a poente, 177 1/2 palmos - e pelo sul, de nascente a poente, 188 palmos.

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Acreditando que esta arrematação tenha levado à demolição do edifícado e posterior edificação de muito do que ocupa essa área atualmente, mas não conhecendo de todo a história desta fábrica (apenas que a mesma fora estabelecida no século XVIII), convido a qualquer um dos leitores que por aqui passe a deixar mais pormenores sobre ela.

Deixo contudo um extracto do que Agostinho Rebelo da Costa refere sobre esta fábrica no seu livro de 1788:

"Dirige-se por dous Administradores: o primeiro he o Caixa, Inspector do Escriptorio, em que trabalhaõ quatro Escripturarios, com hum Guarda livros, e tem cinco mil cruzados de renda: o segundo tem hum conto de reis, e he o que assiste na Fabrica. No trabalho desta occupaõ-se mais de cem pessoas; umas nos fornos, e esfolha; outras nos piloens e engenhos; e o resto na empapelaçaõ, repartiçaõ, arrecadaçaõ, &c. (...) Todos os dias, excepto nos feriados, coze-se a folha do tabaco em quatro fornos, que algumas vezes naõ bastaõ. Fazem-se tabacos das seguintes qualidades: Cidade, Somonte verde, Somonte amarelo, Esturro de côr, Esturro preto.

(...) A causa de ser geralmente mais reputado o tabaco do Porto, que o de Lisboa, procede, de que no Porto cozem-se fornadas mais pequenas, e a lenha para os fornos naõ he de pinho, mas de mato, cuja flor, e rama communica ao tabaco hum cheiro suavissimo.

De Salarios miudos paga esta fabrica em cada anno doze mil cruzados, e passaõ de trinta mil, os que saõ Salarios de portas a dentro, naõ fallando nas despezas do papel, grude, mato, e outras miudezas, que importaõ grande cabedal. (...)"

domingo, 11 de janeiro de 2015

A "Praça da Constituição" à época da Revolução de 24 de Agosto de 1820

Nas primeiras décadas do século XIX, a imprensa começava a dar os seus primeiros passos e um pouco por todo o lado iam surgindo publicações periódicas, a esmagadora maioria delas de vida efémera. No Porto, um ano após a revolta de 1820 um dos jornais existentes era o Patriota Portuense.

Longe ainda do tipo de publicação que veremos surgir nos anos 40 e sobretudo 50 daquele século, nele se notam contudo já algumas notícias locais, ao invés da simples publicação de Decretos ou notícias de carácter nacional do Reino Unido (de Portugal e Brasil, entenda-se). E nele se começavam a ver também publicadas as correspondências de leitores que aproveitavam para mostrar o seu descontentamento com aspectos e modos como eram conduzidos os assuntos da cidade.

Nos dois artigos abaixo essas mesmas opiniões servem, na actualidade, como pequenas janelas para um Porto que começava, por fim, a expandir-se para fora das suas muralhas medievais, mas onde Massarelos e Cedofeita eram ainda denominados de subúrbios... 
Neste contexto, a actual Praça da Liberdade iniciava o seu processo de regularização, ainda de forma tímida, muito longe da de hoje, processo esse que só viria a estar concluído com a construção do edifício do Banco de Portugal e a demolição dos palacetes camarários do topo norte, para abertura da Avenida dos Aliados....



Mas vejamos então quais eram as "polémicas" à volta da Praça da Constituição, em 1821.
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Patriota Portuense, 24  de Novembro
«CORRESPONDENCIA de um tal Braz Cata-cego

Em 23 de Dezembro no anno proximo passado he que se publicou a Portaria da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino para que a Praça Nova se chamasse, para o futuro, Praça da Constituição; que, no lugar mais accomodado da dita Praça, se levantasse hum Monumento, executado em pedra, com desenho que melhor possa exprimir o grande acontecimento do memorando Dia 24 d'Agosto; e para que a Praça se aformoseasse mais e tivesse extensaõ e capacidade necessaria para este objecto, se demolisse o edificio da Natividade: recommendanndo-se á Illma. Camara que puzesse em pratica tudo o que já d'antes se achava determinado a este respeito, a fim de que esta utilissima obra se naõ demorasse.

Tem decorrido quasi hum anno, e só vimos trocar-se a denominaçaõ da Praça, sem solemnidade alguma, porque o Regimen Constitucional naõ admitte ceremonias. Em quanto a Monumento e demoliçaõ do edificio, fica para a resurreiçaõ dos capuchos; pois que agora ha falta d'operarios e resurgindo aquelles haverá gente para tudo. Bemdito seja Deos, que assim se executa o que hum Governo determina!

Mas, Sr. Redactor, como a obra está embarrancada naõ se ha de perder tudo, visto que se lhe deo começo in illo tempore que a pedra, dahi tirada, dava para aquillo com que se compram os meloens: bem haja quem he dotado de astucia, que em ninharias faz dinheiro, e o tempo só está para pouquidades! Portanto lembro que se deve conservar aquela tapagem que se acha na obra (que he bem bonita!), e acabando-se de terraplanar o sitio da fonte, tem a cidade Regeneradora hum côrro para touros, cavallinhos, ursos e elefantes, com que os forasteiros nos armam ao dinheiro: desta sorte naõ nos incommodaraõ pelas ruas com os seus bicharocos e gaitas de fole, e jámais se hiraõ hospedar com elles em casas de pasto, habitaçoens improprias para tal canalha: as janellas servem para as Senhoras, como mais medrosas; e para os homens faz-se um tablado no logar da varanda: esta lembrança naõ he para desprezar, porque além da commodidade destes aventureiros da santa conveniencia, serve de chamariz para as lojas do bom e barato: e he de esperar que ella tenha a breve decisaõ que tem tido as memorias e modélos para a construçaõ do dito Monumento.

A Illma. Camara fez certamente o que devia em renovar e ornar os Paços do Concelho em quanto o cofre tinha churume: em verdade, o interior do edificio tem bellissimas pinturas, gosto delicado nos tectos estucados, magnificos reposteiros, portas com ricos entalhos, &.c; o exterior (aqui torce a porca o rabo!) he justissiamemnte como hum homem vestido á sebastianista, com hum chapéo de copa alta (á constitucional) com huma pluma em cima, que he a primorosa e excelente estatua do Porto que, na sua maõ-d'obra escusava tanta delicadeza para tanta altura. Porém, Deos perdoe a quem fez tal judiaria; que, depois de feita a tal obrinha, deo pêco no cofre da Cidade, que não anda para traz nem para diante... (...)


Patriota Portuense, 29 novembro
CORRESPONDENCIA de resposta ao tal Braz Cata-cego

Estranhei que no N.º 279 do seu Diario o Correspondente Braz se apellidasse Cata-cego, quando ele tem olhos taõ espreiteiros! Porém se todavia elle he pesquisador, ainda lhe escapulio da lembrança advertir o seguinte:

Ha mezes affixou-se hum Edital para derrubar as barracas da Feira no tempo peremptorio de oito dias; mas o tempo determinado foi-se, e apôs elle decorreram mezes, servindo o Edital só para opprimir esquinas!

Pode ser que estorvasse esta providencia alguma medida politico-lucratoria que as descaradas Regateiras arranjassem com seus embustes, pois que para isso saõ amestradas; porém dado que assim fosse saõ ellas diabolicas feiticeiras, capazes até de virar o mundo com o debaixo para riba! Eu as esconjuro; porque temo mais seus feitiços do que suas pragas, baldoens e bravatas. Mas, Sr. Redactor, pela chibança das Regateirinhas ha de valer hum cominho o Edital dos Srs. Juizes Almotaçés, e o seu conteúdo ter o privilégio do caranguejo? e nós se quizermos transitar naquele sitio, havemos de vêr-nos abarbados com encontroens, e alcançarmos indulgencia plenaria para sahir delle!

Eu conheço que as taes barracas servem de embelezzar a nossa Cidade, pois que nos apresentam hum retalho das ruas de Constantinopla; mas o Brigadeiro N. Trant, naõ lhe importando belezzas, pespegou com ellas em terra a despeito das mesinas, caramunhas, e feitiços das guapas Regateiras. Elle tudo podia; porque além de pouco se lhe dar que galrassem, nao temia feitiços, por nelles naõ crêr como Protestante e naõ Catholico: assim, fazia sempre o que premeditava. Ora, eu naõ quizera desmanchar prazeres: mas se os taes casebres de madeira, são proprios só para os Turcos, mandem-se-lhes para lá os donos dos de cá, e a Justiça que os consente; assim ficariamos livres dos taes empecilhos, e naõ se embespenharia e nausearia o publico contra a falta de execuçaõ do celebrado Edital!

(...) Bem lembrado catará de quando todos os Vendedores e Vendedeiras dos mercados andaram em bolandas; ei-los já para aqui, ei-los já para alli, ei-los outra vez para cá, ei-los outra vez para lá; até que por fim todos tiveram o seu paradeiro.

Na Praça de Santa Tereza ficaram os padeiros de paõ de milho (vulgo brôa): tanto huns como outros foram despedidos da Praça da Constituiçaõ, para aquele lugar ficar amplo, não só por ser de muito transito, mas para se fazer a parada, render-se a guarda principal, &.c: muito boa providencia, esclamaram todos; porém muitos dias naõ eram passados, quando atraz do tanque desta Praça se viram encouchadas algumas padeiras do paõ de brôa; e como ahi se demorassem algum tempo, sem que a justiça dos Almotacés s enxergasse (pois que todos andam cegos com estas cousas), foram-se plantar com toda a cachimonia no sitio donde tinham sahido as padeiras do paõ molete; e lá se conservam muito empertigadas nas suas tripeças. As vendedeiras da sardinha, do bacalháo podre, das quentinhas, e algumas de molete, como lhes naõ fizessem bom gazalhado onde estavam, mui arteiras se fincaram ao pé das outras; e ahi temos a entrada da Praça entulhada com hum mercado de mixtiforios! Como alli hajam filhos de muitas mãis, chovem por conseguinte os improperios, pulhas, chufas, pragas e tudo o que he contrario á decencia e bons costumes: e isto no centro da Cidade onde continuamente passam familias e pessoas honestas!

(...) A Camara (composta de Fidalgos!!) está quasi a expirar-lhe o prazo de sua governança; veremos agora se, com estas Viravoltas Constitucionaes, temos Camara Constitucional (...); então veremos, executando-se o que hum Governo Constitucional determinou, derrubar-se o encantado edificio da Natividade, e alevantar-se o esquecido Monumento Constitucional; veremos tambem publicar-se as contas do cofre da Cidade, porque, se elle lhe pertence, he inconstitucional occultar-se sua receita e despesa (...).»

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nota de rodapé n.º 1 - A Porta das Mentiras

"A 16 de Abril de 1788, António José Simões Pereira, escrivão do registo do Juízo Eclesiástico, (...) pediu à Câmara a demolição do postigo, pois este se achava ameassando evidente prigo por ter em sima do arco uma parede muito arruinada, e parte de outra do lado nascente ainda mais, sendo a passagem de degraus muito violentos, e alguns desses se tinhão demolido e com a próxima invernada se arruinarão mais o que tudo concorria para fazer muito violenta aquella serventia que he muito frequentada. O escrivao e os seus vizinhos ofereciam-se para custear a demolição do arco e substituir os degraus por uma rampa; assim, as liteiras e as cadeirinhas poderiam descer com toda a segurança para o Codeçal e Ribeira."

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(Esta "nota de rodapé" vem citada a p. 7 do livro electrónico Morro da Sé - De Porta a Porta, editado pela PORTO VIVO, tendo a mesma provindo da obra nela referida como FERNANDES, 2006: 16.  Agradeço a quem me der a referência da obra completa para fazer justiça ao seu autor uma vez que é a primeira vez que se vê citada a data (pelo menos aproximada) da demolição da Porta das Verdades! Obs.: provável "Porta da Traição" da cerca românica...)