quinta-feira, 28 de maio de 2015

"O pica do 7" sim, mas.. do verdadeiro 7?

Creio que toda a gente conhecerá esta bonita música interpretada por António Zambujo mas escrita por Miguel Araújo, que há poucos dias ganhou (e muito bem) um prémio. São músicos e musicas de qualidade, que cantam EM PORTUGUÊS e são dignos sucessores de outros como por exemplo Rui Veloso (isto para ser tendencioso e falar dos que são da minha terra).

Desta música foi recentemente lançado um video, bonito, singelo, adequado com aquilo que a música exige. Não pude contudo deixar de reparar que foi filmado em eléctricos de Lisboa, o que aos olhos de um portuense mais atento soará desenquadrado. Esse pormenor não retirando absolutamente nenhum valor à obra, bem que poderia ter sido feito aqui no Porto, nos eléctricos que verdadeiramente andaram no verdadeiro 7.

Esta linha seguia da Praça da Liberdade até à Ponte da Pedra e foi extinta nos anos 70 e ainda o 7/ e 7// linhas com início e/ou termino diferentes da sua linha "mãe" mas que no essencial faziam o mesmo percurso (eu ainda percorri muitos Km na 7, mas já de Volvo e com máquinas de obliterar, menos propensas a acalorar o peito de jovens donzelas...).

Não obstante, isso não tira nenhum valor à música e aos músicos! Mas como este pensamento me aflorou à cabeça mal vi o video, serviu-me a ideia deste post de mote para desempoeirar aqui a "casa", que já estava com as portadas fechadas há mais de um mês.

Abaixo deixo uma foto, talvez dos anos 60, que mostra um eléctrico a fazer a linha 7 em Arca de Água.

NOTA: Este eléctrico, com o n.º de matrícula 128 é um dos Brill 23 que vieram, novos, de Filadélfia em 1909, 1910 e 1912. Embora este tipo de eléctrico se apresentasse obsoleto logo nos anos 30 do século passado, ainda assim a CCFP (antigo nome da STCP) construiu vários usando o mesmo chassis e caixa até aos anos 40. Daí a grande admiração e "romaria" de entusiastas destes transporte a Portugal desde os final dos anos 50 até quase ao presente; para verem estas relíquias em funcionamento que já só se podiam ver nos filmes a preto e branco nos outros países que os usaram.

NOTA: Desconheço o autor desta foto. Ela foi-me cedida há uns bons anos por um conhecido, apaixonado pelos eléctricos.